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Julho 26, 2005
GRAPHIC TALENTS nº 12 - VELTA

(Junho de 2002)

Foi praticamente a primeira publicação de Velta a nível de massa, com grande tiragem. Tratava-se de uma coleção lançada pela Editora Escala, na qual apresentava um artista e um estilo diferente a cada número. Os que vendessem melhor, teriam título próprio.

Mas talvez tenha sido essa pluralidade de estilos a causa da derrocada da coleção, pois a cada nº, o expositor colocava-a num canto diferente, e a procura do público se dificultava. Seria preciso um olho bem treinado para achá-la. Mas, mesmo assim, as notícias que recebi de amigos, leitores e correspondentes foi de que a revista estava sumindo das bancas com facilidade. Sinal de estar vendendo muito bem.

Seja como for, a Editora nunca me deu números das vendas e parou, não só com a coleção Graphic Talents, como qualquer futuro lançamento dos personagens apresentados nela. As más línguas de sempre, essa gente que adora puxar saco de quadrinhista estrangeiro e esculhambar com os nacionais, boataram que a Velta vendeu mal.

Eu quis tirar isso à prova. Liguei para o setor onde estoca sobras das revistas da Escala e comprei 100 números para vender a leitores e amigos que não a haviam conseguido nas bancas.

Aproveitei para manifestar um suposto interesse em comprar mais 5 mil exemplares para vendê-los junto com um determinado jornal aqui do meu estado. Enfim... contei uma história mentirosa, mas convincente. A pessoa que me atendeu, disse que só dispunha de 900 (novecentos) exemplares de sobra, e se eu quisesse os CINCO MIL, teriam de REIMPRIMIR. Ou seja, a Velta VENDEU MUITO BEM em qualquer hipótese.

Vejam: se na hipótese mais pessimista foram rodados apenas 5 mil exemplares, então foram vendidos 4.100 (Quatro mil e cem) ¿- um excelente porcentual de vendas para uma revista nacional. Mas houve quem me dissesse que as tiragens eram de 15 mil, e se assim foi, vendeu 14.100 (Quatorze mil e cem).

Porque a Velta não continuou pela Escala ? Este é mais um dos mistérios dos quadrinhos no Brasil...

A quem interessar, ainda tenho dessa alguns exemplares da edição, para venda - R$ 2,50.

Texto de Emir Ribeiro

Fonte: Fotolog Terra

Comentários:
Paulo [ 8:14 AM ]


Julho 20, 2005
Biografia: Emir Ribeiro

Emir Lima Ribeiro, nascido em João Pessoa, Paraíba, em 07 de abril de 1959, iniciou seus trabalhos com quadrinhos desde cedo (7-8 anos), fazendo histórias para o círculo familiar e amigos próximos.

Em 1973, aos 14 anos, criou e lançou Velta, sua criação maior, no jornal mural O Comunicador, do Colégio Estadual de Jaguaribe. Em 1975 começou a publicar nos jornais A União e O Norte, de circulação estadual, lançando outros personagens, além de Velta, como o índio Itabira (1975, em parceria com seu pai, Emilson Ribeiro), a andróide Nova e O Desconhecido Homem de Preto (estes dois últimos em 1976). Em 1978 começou a editar revistas por conta própria e colocá-las nas bancas de três estados nordestinos. Editou cerca de quinze revistas independentes, sendo o mais recente o álbum 25 anos de Velta (1998).

Em 1980 começou a publicar quadrinhos no jornal O Correio da Paraíba, também de circulação estadual. No decorrer da carreira, participou de várias exposições em João Pessoa, PB, em outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro, e na Europa (França). Entre 1985 e 1991, publicou diversos trabalhos da linha erótica e terror em editoras de São Paulo, como Press/Maciota, Nova Sampa e ICEA. Em 1989, escreveu, dirigiu, atuou e produziu o vídeo O Desconhecido Homem de Preto, sobre o personagem lançado em jornais paraibanos em 1976. O filme teve boa repercurssão a nível local e nacional, tendo sido comentado pela revista de cinema Cinemix, o programa Documento Especial, da TV Manchete-Rio, o jornal Folha de São Paulo e foi exibido em grandes eventos de quadrinhos, como a I Bienal Internacional de quadrinhos do Rio de Janeiro.

Em 1993 começou a fazer trabalhos para editoras dos Estados Unidos, na trilha do seu conterrâneo Deodato Borges Filho, o "Mike Deodato Jr.", em personagens conhecidos como O Incrível Hulk e Os Vingadores, ou pouco conhecidos como Glory, Avengelyne, Prophet e Os Protetores, entre outros. A maioria dos trabalhos exportados tem sido como arte-finalista fantasma, onde não lhe foi dado o devido crédito, por parte dos editores e, em algumas ocasiões, levou a "alcunha" de "Deodato Studios". Naquele mesmo ano de 1993, produziu o segundo vídeo: A volta do Homem de Preto, que chegou a ser exibido na TV Cultura de Minas Gerais.

Publicou história colorida de Velta na revista Metal Pesado #6 e, ultimamente, teve uma revista formatinho com Velta, lançada pela editora Escala (2002), o álbum Velta contra o Devorador (Editora Opera Graphica, 2002), o livro História da Paraíba em Quadrinhos (independente, 2003) e o outro álbum 30 anos de Velta (Opera Graphica, 2003).

Fonte: Bigorna

Comentários:
Paulo [ 7:33 AM ]


Julho 17, 2005
QUADRINHOS DA PARAÍBA - TRINTA ANOS DE HISTÓRIA

(Outubro de 1993)

Pouco tempo depois do lançamento da 20 anos de Velta, acontecido com grande pompa numa exposição em 23/09/1993, novamente Juca Pontes, e dessa vez ajudado por Marcos Tenório (antigo coordenador do caderno 2 do jornal A União, que primeiro publicou Velta profissionalmente em 01/08/1975), conseguiu o apoio do Governo do Estado para imprimir uma edição comemorativa ao 30º aniversário da 1ª revista em quadrinhos publicada na Paraíba: As aventuras do Flama, por Deodato Borges, em 1963. Para isso, voltaram a ser convidados os artistas mais atuantes na área, e alguns do passado.

Coincidentemente, também se completava UM SÉCULO da fundação do jornal A União, o grande incentivador, na década de 70, do aparecimento de novos valores artísticos/quadrinísticos e literários da Paraíba.

A edição foi um luxo só, e impressa na gráfica de A União. Formato grande, capa em cores e plastificada, e com uma programação visual toda feita por profissionais do ramo, como Tônio, Milton Nóbrega e Nilton Tavares.

Os textos ficaram por conta de Juca Pontes, Marcos Tenório, Eduardo Souza Lima, e Edilberto Coutinho, com revisão de Antonio Morais. Um trabalhão com uma equipe qualificada.

Fui contatado dois dias antes da revista ir para a gráfica, e não tinha nenhum material pronto. Eram 5 páginas a serem feitas. O jeito foi improvisar. Desenhei rapidamente apenas uma página e meia, e completei as demais com montagens de artes feitas para editoras dos EUA. Saiu então, a Onde estão eles ?, com Velta, num misto de seriedade e humor.

Participaram mais: Assis Valle, com seu humor infantil Cuca, em 4 páginas; Deodato Filho (já começando a ficar conhecido nos EUA como Mike Deodato Jr.) e seu pai Deodato Borges, na HQ Verso e reverso, em 5 páginas; O Conde desenhado por Tônio e com texto de Tenório, em 4 páginas; Cristóvam Tadeu com seus humorísticos Bartolo, o bêbado, Ostradamus, Lampirão, Herr Fróide, Neuroses e Baratos afins, em 7 páginas; a republicação do Flama de 1963, em O caso do Dragão vermelho, por Deodato Borges, com direito ainda a entrevista com o mesmo e um desenho comemorativo, arte-finalizado pelo seu filho Mike; e os textos: O Celeiro Paraibano, 30 anos das Histórias em Quadrinhos na Paraíba, Flama: 30 anos de história, Outro Deodato, 30 anos depois, Brasileiro desenha herói de Alan Moore, Deodato, ou Mike dos States (duas matérias dando ênfase à penetração de Deodato Filho no mercado de HQ dos EUA), Maria, uma solteirona conscientizada, O Conde, um vampiro neurótico, Velta, uma loura boazuda, e Leve Metal: uma presença dos quadrinhos na Paraíba.

O lançamento ocorreu por ocasião das comemorações dos 100 anos de fundação do jornal A União, com uma festança das grandes (os salgadinhos estavam excelentes), uma exposição, e nossa presença.

A edição acima é hoje esgotada, e só consegui guardar uns 2 ou 3 exemplares de lembrança. Vendi muitos pelo correio. Não sei se foi colocada nas bancas pelo pessoal do jornal A União.

Depois daí, foram mais de CINCO anos sem novos lançamentos profissionais impressos em off-set.

Texto de Emir Ribeiro

Fonte: Fotolog Terra

Comentários:
Paulo [ 7:25 PM ]